Como aconteceu


A viagem transcorria dentro dos padrões quando, no kilometro 354 da via férrea, por volta de 01:55 minutos, localizado no distrito da cidade de Antônio Carlos, denominado Parada Araújo, o maquinista visualizou a sua frente, cerca de 500 metros, uma luz forte vindo em sua direção.

Logo imaginou que poderia ser o farol de um automóvel cruzando a linha ou seguindo por via lateral. Mas, logo lembrou-se que não havia por alí estas vias e, imediatamente fez funcionar o apito da locomotiva por dois longos silvos, quando percebeu que, o que estava à sua frente era outra composição. Imediatamente lançou mão dos freios e ao mesmo tempo gritava ao graxeiro e ao foguista que pulassem do trem. O grito era frenético – “Saltem do trem pois vamos todos morrer”.

Era muito tarde, a velocidade não conseguiu ser refreada pelo esforço dos maquinistas e, assim o choque aconteceu.

Um barulho ensurdecedor tomou conta do lugar. Os destroços se espalhavam por todos os lados.

A composição que colidiu com o N2 era um cargueiro C-65, conduzido pelo maquinista José Rabelo Alves, que segundo seu depoimento, disse que, “ao entrar na curva, o foguista José Moyses Alves, que vira um forte clarão pela frente, me avisou que vinha uma composição à frente e que a licença que este obteve não lhe era destinada”. Ao mesmo tempo, saltou da locomotiva em movimento, precipitando-se na estrada, tendo se salvado da morte, graças a esta iniciativa.

O pânico tomou conta daqueles que, dormindo conseguiram se levantar para tomar ciência do ocorrido. Tudo era trágico ao redor. Ferros retorcidos, bancos quebrados, corpos espalhados, muitos gritos e pedidos de socorro.





Esta é a capa de um Livro/Coletânea que o chfe Ignácio Castañón estará lançando no dia 14 de dezembro de 2019, quando da reinauguração do Memorial.
Neste livro está retratada toda a história que envolveu o jovem Caio Vianna Martins